Conferência Azul reúne especialistas em Vitória para debater economia do mar no Espírito Santo. Evento reuniu 150 participantes e marcou assinatura do memorando do Selo Azul para cidades costeiras.

A capital capixaba recebeu nesta semana a Conferência Azul – ES, evento que reuniu cerca de 150 participantes no auditório do Sebrae, em Vitória, para discutir o potencial da economia do mar e o desenvolvimento sustentável das cidades costeiras.
A iniciativa foi realizada pela FACIAPES (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Espírito Santo) em parceria com a FACERJ (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Rio de Janeiro) , reunindo especialistas, autoridades e representantes de instituições públicas e privadas para debater oportunidades e desafios relacionados ao desenvolvimento das atividades ligadas ao mar.
Assinatura do memorando marca avanço na agenda da Economia Azul

Um dos momentos mais importantes do encontro foi a assinatura do memorando de entendimento para implementação do Selo Azul – Cidades Costeiras no Espírito Santo.
O documento foi assinado por Arthur Avellar, presidente da FACIAPES; Robson Carneiro, presidente da FACERJ e do Sebrae-RJ; e pelo Capitão dos Portos do Espírito Santo, Wendel Armani.
A iniciativa busca incentivar boas práticas de gestão e sustentabilidade nas regiões costeiras, fortalecendo o desenvolvimento econômico ligado ao mar e promovendo maior integração entre instituições públicas, setor privado e sociedade civil.
Economia do mar tem forte impacto na economia capixaba

Durante o evento, o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Silva Lira, destacou a forte relação da economia capixaba com o litoral.
Segundo ele, grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo está diretamente ligada às atividades desenvolvidas na faixa costeira, evidenciando a importância estratégica do mar para o desenvolvimento econômico do estado.
Dados apresentados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) reforçam esse cenário, apontando crescimento na movimentação de cargas nos portos capixabas.
Entre os destaques está o Terminal de Tubarão, que atualmente figura como o terceiro maior exportador do Brasil, registrando um volume expressivo de exportações e aumento significativo na movimentação de toneladas em relação ao ano anterior.
Outro ponto abordado foi o crescimento das atividades logísticas e portuárias no estado, com aumento das operações de importação e exportação e a chegada de novos fluxos de mercadorias, incluindo veículos elétricos, reforçando o papel do Espírito Santo como um importante hub logístico nacional.
Investimentos podem chegar a R$ 138 bilhões até 2029
A apresentação também destacou que o Espírito Santo já possui uma grande capacidade instalada em atividades relacionadas à economia marítima e portuária.
Esse cenário deve se ampliar ainda mais nos próximos anos, com projeções de cerca de R$ 138 bilhões em investimentos públicos e privados até 2029.
Esses investimentos devem gerar impactos positivos para a população, como crescimento da produção econômica, geração de empregos e fortalecimento do ambiente de negócios, criando condições mais favoráveis para o desenvolvimento de novos empreendimentos no estado.
Economia Azul e desenvolvimento sustentável das cidades costeiras

A programação também contou com a participação do professor Renato Regazzi, do Insper (SP), especialista em Economia Azul e conselheiro da Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar (ABEEMAR).
Durante sua apresentação, Regazzi explicou que a Economia Azul propõe o uso responsável e sustentável dos recursos marinhos, conciliando desenvolvimento econômico, preservação ambiental e geração de oportunidades para a população.
Segundo ele, atividades ligadas ao mar — como logística portuária, energia, turismo, pesca e comércio marítimo — precisam ser desenvolvidas com planejamento, inovação e responsabilidade ambiental.
O especialista também apresentou o conceito do Selo Azul, iniciativa voltada para reconhecer cidades e instituições que adotam boas práticas relacionadas à economia do mar e à gestão sustentável do ambiente costeiro.
A certificação funciona como um instrumento de incentivo para que municípios fortaleçam políticas públicas voltadas à sustentabilidade, ao planejamento territorial e ao desenvolvimento responsável das atividades econômicas ligadas ao mar.
Espírito Santo tem vocação para a economia do mar

Para o presidente da FACIAPES, Arthur Avellar, o encontro representa um passo importante para fortalecer a agenda da economia do mar no Espírito Santo.
“O Espírito Santo tem uma vocação natural para a economia do mar. Discutir esse tema com especialistas, instituições e lideranças é fundamental para transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável, geração de empregos e novas oportunidades para o estado”, destacou.
A Conferência Azul – ES reforça a importância da integração entre poder público, setor privado, universidades e sociedade civil na construção de estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável das regiões costeiras.
Com cerca de 400 quilômetros de litoral e 14 municípios costeiros, o Espírito Santo possui grande potencial para ampliar sua participação na agenda nacional da economia do mar e fortalecer seu papel estratégico no desenvolvimento da chamada Economia Azul no Brasil.
